Projeto OASES — Operação Agropecuária contra Seca e Estiagem
Publicado em 01/09/2026 às 09:38 · Editado em 09/09/2026 às 21:18
Pecuária de baixo impacto e alta resiliência às mudanças climáticas | Fazenda Agroecológica Santa Luzia, Santa Maria das Barreiras-PA
História
Nos últimos 10 anos, alterações nas condições climáticas que interferem diretamente na produção têm sido percebidas por muitos produtores da nossa região. Secas, que sempre fizeram parte do clima mas que demoravam décadas para ocorrer, agora ocorrem com mais frequência e córregos que nunca secaram, passaram a secar. Na própria lida diária, a sensação de calor dificulta o trabalho e atinge diretamente os animais. Cavar novos açudes se tornou um paliativo obtuso, não somente porque eles secam, mas porque é sob o sol que a sensação continua intransponível.
Durante estes novos verões, mesmo a inclusão de itens de cuidado pessoal (protetor solar, óculos uv etc.) como equipamentos de proteção não tem sido suficiente. Percebemos que o que de fato funcionou mesmo, para melhorar a sensação térmica da lida e dos animais, foram as áreas onde em 2020 fora implementada a IPF com mogno africano. Foi quando notamos uma lida muito mais agradável termicamente, para nós e para os animais. Desde então, sentimos que deveríamos tentar algo mais nesse sentido, ampliando a zona de amortização.
Sabemos da dificuldade de implementação de sistemas deste tipo em larga escala, que acabam ficando inviáveis devido ao custo do manejo florestal e em especial, o tempo de pousio para que as árvores alcancem o tamanho ideal à integração. Seria mais simples se pudéssemos instalar uma estrutura mais compacta e eficiente, que possibilitasse o conforto térmico em toda a extensão do pasto, e ainda, aliviasse a sede do rebanho. Sem desprezar o IPF, a sensação gostosa que a gente sente ao cavalgar por 50 hectares de floresta plantada e integrada a um braquiária forte e verdejante em pleno verão, não poderia ser transmitida dentro de um espaço menor? Com mais rápida implementação, mais tecnologia, intensificação e produtividade?
Da experiência na lida diária surgiu a pergunta; se nem o rebanho escolhe ficar com o lombo embaixo do sol quente, e nós temos que buscá-los “na moita”, por que não “construir” a moita, e evitar o sol quente, sobre todos?
Filosofia
A expressão “buscar na moita” é referenciada em uma preferência comportamental do rebanho, que é a de se esconder em áreas de preservação ambiental circundantes de leitos de água, nas propriedades rurais. Estes, integralmente protegidos e predominantes na paisagem das nossas propriedades, são os locais onde o rebanho busca sombra e água fresca, especialmente em épocas em que a incidência solar desencoraja o pastoreio aberto.
Com o avanço de outras atividades econômicas ao redor das propriedades, como plantio de soja, garimpo e o resíduo próprio que acaba escorrendo pelos córregos, a água desses reservatórios naturais tende a apresentar uma qualidade imprópria para a bovinicultura. Desta forma, OASES nasce com a proposta de matar, ou melhor, salvar dois coelhos com uma moita só: Reunir o gado no entorno de um local de fácil acesso e construído com “a sombra e água fresca” com água de qualidade e, aproveitar o próprio resíduo para o pasto através da escolha do terreno, evitando a contaminação dos córregos naturais.
O fornecimento de água de boa qualidade, local para banho e sombra para o rebanho são os objetivos centrais da Operação Agropecuária contra Seca e Estiagem, mas não são os únicos. A partir de Oases, destarte, neste espaço virtual dedicado, a Agrobiosouza deseja apresentar um pouco mais do que o projeto de inovação tecnológica voltado à resiliência climática da pecuária homônimo. E isto se deve, principalmente, à necessidade que encontramos de conversar com os outros produtores rurais do ramo pecuarista. Em OASES, criamos este interessante desenho com variantes de baixo a médio custo de implementação, que potencializa a capacidade de apascentamento dos pastos no verão a partir de um estudo regional da fazenda e, isso se dá com o alinhamento das expectativas do produtor com uma ótica específica que fora adotada, quase uma década atrás.
Na Biosouza Agroflorestal, entendemo-nos como mais do que somente os proprietários de fazendas: Nós sentimos e sabemos que somos os primeiros afetados pelo nosso próprio manejo. Entendemos que, as mudanças das micro condições edafoclimáticas do passado que permitiram o estabelecimento da pecuária na região foram processuais e, sobretudo, que existe um limiar de modificação que beneficia a continuidade da atividade, e outro que a prejudica.
Hoje, pela capacidade de investimento em inovação tecnológica e em paradigmas integrados radicalmente à paisagem, os produtores rurais podem garantir a continuidade de suas atividades através das próximas gerações; exatamente em razão da necessidade de adaptação. E ainda, no melhor dos mundos, caso a previsão climática dos cientistas não se concretize; o produtor rural sabe que no verão o boi para de ganhar e começa a perder. Mas isto pode, e deve ser modificado. Tanto para o bem-estar animal, quanto para a sustentabilidade econômica da atividade, a longo prazo.
Desenho
Desta forma, dentro de OASES criamos uma combinação de estruturas estrategicamente posicionadas entre os pastos que mais perdem capacidade de apascentamento no verão; corpos d’água (75m²/160m³) circundados de vegetação de forrageio e sombreamento alporquiada/estaquiada, com super-reservatórios de captação (35m³ + cochos que captam água mineral por bombeamento solar; distribuindo-a na convecção (limite da cerca), para os demais, e ainda, aplicando um flush sistemático em estrutura tubular semi-radial pressurizada e geointegrada de 350m², irrigando até 10ha de pastagem, por unidade. Desta forma, não somente garantimos “sombra e água fresca” para rebanho sob o sol quente do verão do Sul do Pará, mas também, diminuímos o stress hídrico da pastagem e da paisagem em si, com a alteração no ambiente de forte relevância microclimática, correspondente à evapotranspiração de 400m² de cobertura vegetal irrigada e ainda, recuperando o ganho de peso médio perdido por falta de água limpa e pela seca.
Números
Temperatura média, umidade relativa, índice pluviométrico e outros vários indicadores atrelados à produtividade pecuária vêm sendo monitorados localmente e por satélite nos últimos 5 anos, e serão utilizados com contraponto aos novos indicadores anuais, a partir da instalação de Oases.
A perda de umidade local por evapotranspiração da pastagem fora calculada a partir da fórmula base da evapotranspiração agrícola;
ETc (mm/dia) = ETo × Kc → Volume = área × ETc
| ETo (seca) | ETc = ETo×0,85 | Volume/dia (400 m²) | Volume/mês (~30 d) |
|---|---|---|---|
| 3,5 mm/d | 3,0 mm/d | 1.190 L/d | ~36 m³/mês |
Por que 35m³?
Corresponde à água total que estaria sendo “perdida” pelo sistema no verão, pela própria área de implementação dele 400m², a cada mês de seca. Ou seja, sem Oases, a pastagem estaria perdendo esses 35 mil L de água/mês. A cada “flush” total Oases restabelece a umidade equivalente a cerca de 1ha de pastagem diários.
Por que semi-radial?
A estrutura semi-radial interconectada e geointegrada ao relevo da pastagem, combinada com uma pressurização gravimétrica, mecânica e regulada, auxilia a “cobertura” de um “raio de ativação” de umidade. O princípio é básico e elementar da físico-química; manter a umidade juntinha, próxima ao corpo d’água, para a partir daí, reduzir o nível de energia e agitação molecular, e refletir positivamente ao redor da pastagem com a formação dessa “micro frente-úmida” provocada pelo gotejamento e a evapotranspiração provocada.
Por que na convecção dos pastos?
Cavar um poço de bombeamento solar longe da casa-sede deve ser aproveitado pelo maior número de cabeças possível. É por isso que a escolha do local de implementação de uma unidade de Oases não pode, nem deve ser “às cegas”. A melhor forma de aproveitar os benefícios desta tecnologia, é com um estudo histórico das micro condições edafoclimáticas locais, do terreno, e da própria capacidade de apascentamento dos pastos dentro de cada localização.
Resultados
Dados serão publicados exclusivamente nesta página, e em publicações científicas autorais do grupo de pesquisa responsável.
Você pecuarista, fique atento!
Como funciona
- Água com engenharia — desenho hidráulico de precisão com flush dos cochos e do corpo d’água principal (evita eutrofização), irrigação semi-radial geointegrada de 350 m², poços artesianos com bombeamento solar e vazão de precisão, fluxo por bombeamento e gravidade com aproveitamento máximo e desperdício zero.
- Sombra e forrageio — os “oases” são corpos d’água circundados de paisagem arbustiva de forrageio e sombreamento, construídos entre as pastagens mais secas; podem reduzir a sensação térmica em até 3,7 °C e aumentar a umidade do ar em mais de 10%.
- Integração pecuária-floresta — ampliação dos IPFs com mogno africano, cedro e jatobá, plantio de moringa, guandú, gliricídia e outras forrageiras com alta capacidade de sombreamento, além de frutíferas que disputarão os dispersores de sementes contra as daninhas ornitófilas e ornitocóricas. Porque a integração com a floresta deve ser, também, integração com a fauna e os serviços e desserviços que estas podem proporcionar.
Rastreamento climático
A operação conta com um sistema de monitoramento e previsão do tempo próprio e diário, para antecipar a estiagem;
- Previsão de chuva — mm e probabilidade por dia, 7 dias à frente.
- Temperatura e alertas — alerta de friagem e de seca.
- Verificação — o que realmente caiu (previsto × observado).
Esse monitoramento guia as decisões de manejo e o uso da água dos oases.
Mapa do desenho de implementação OA3
Diferencial
A fazenda já maneja IPF com mogno africano, pecuária rastreada (SISBOV) e de baixo carbono (ILFs) desde 2020. Metas do projeto: aliviar o estresse hídrico das pastagens e do gado, reduzir a eutrofização dos corpos de água já presentes e, construir e estabilizar estruturas de resiliência climática que assegurem produtividade futura.
Menos stress hídrico é, a fim de resultado, uma carne mais macia, suculenta e saborosa. Do jeito que o brasileiro faz bem, e do jeito que o mundo inteiro gosta. Só que muito melhor.
Texto adaptado de: Souza, C V A (2025). Inovação tecnológica contra Estiagem no Sul do Pará. XVIII SICOOPES, Castanhal-PA. Msc. Desenvolvimento Sustentável Rural e Projetista de Oases, Resp. Técnica Grupo Biosouza. 28 de Agosto, 2026.
Contato B2B
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